DIA DE REIS - O BOLO-REI

01/01/2013 11:17

 

No próximo dia 6 se comemora o Dia de Reis encerrando os festejos natalinos e, por consequência, são desfeitos os presépios e as árvores de Natal . A data marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos ( Melchior, Gaspar e Baltazar ), que a tradição surgida no século VIII os converteu em santos. 
Em alguns países, como na Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com capim antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca os Reis Magos deixariam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar. A tradição também consiste em comer Bolo-Rei, no interior do qual se encontra uma fava e um brinde escondidos. A pessoa que encontra a fava deve "pagar" o Bolo-Rei no ano seguinte.
Na França (agora também noutros países) come-se "Galette des Rois" onde também encontram um brinde no seu interior, a galette também costuma trazer uma coroa, quem encontrar o brinde será rei e será coroado.
Em Portugal e também em outros países as pessoas que moram no interior costumam ir cantar os reis de porta em porta e as pessoas dão doces, salgados etc...
No Brasil esta tradição é comemorada com festas onde são servidos doces e comidas típicas das regiões. Há ainda festivais com Companhias de Reis (grupo de músicos e dançarinos) que cantam músicas referentes ao evento.
O Bolo Rei e a sua fama…
Não dá para falar em Festas de Fim de Ano, sem falar do famoso Bolo Rei, com a sua forma de coroa, suas frutas cristalizadas e frutos secos (amêndoas, nozes e pinhões), a fava e o brinde.
Este bolo está recheado  de simbologia pois representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus, na ocasião do seu nascimento. A casca (a parte exterior-dourada) simboliza o ouro; já as frutas secas e as cristalizadas representam a mirra; por fim, o incenso está representado no aroma do bolo.
No interior do bolo está escondida uma fava, conta uma lenda,  que trata-se da representação da história dos Reis Magos quando viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo,  então disputaram entre si o direito de entregar a Jesus, os presentes que levavam. Como eles não conseguiam chegar a um acordo, um padeiro, para pôr fim à discussão, propôs fazer um bolo com uma fava no interior da massa, em seguida, cada um dos três magos do  Oriente pegaria numa fatia, o que tivesse a sorte de retirar a fatia que possuísse a fava, ganharia o direito de entregar os presentes a Jesus.
Não se sabe qual foi contemplado com a fatia premiada, pode ter sido qualquer um dos três, Baltasar, Melchior ou Gaspar. É claro que isto é só uma lenda, o Bolo Rei tem, na verdade, origens francesas (como veremos a seguir).
A receita do Bolo Rei correu o mundo por proporcionar prosperidade a quem comesse a fatia que possuísse a fava. Contudo, diz a tradição que quem receber a fatia com a fava, tem de oferecer o Bolo Rei no ano seguinte.
De Roma à França – Os romanos costumavam votar com favas, prática introduzida nos banquetes das Saturnais, durante as quais se procedia à eleição do Rei da Festa, também chamado Rei da Fava. Diz-se que este costume teve origem num inocente jogo de crianças, muito frequente durante aquelas festas e que consistia em escolher o rei, tirando-o à sorte com favas.
 O jogo acabou por ser adotado pelos adultos, que passaram a utilizar as favas para votar nas assembleias.
Como aquele jogo infantil era característico do mês de Dezembro, a Igreja Romana passou a relacioná-lo com a Natividade e, depois, com a Epifânia, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro (Dia de Reis).
A influência da Igreja na Idade Média determinou a criação do Dia de Reis, simbolizado por uma fava introduzida em um bolo, cuja receita se desconhece. De qualquer modo, a festa de Reis começou muito cedo a ser celebrada na corte dos reis de França.
O bolo-rei teria surgido no tempo de Luís XIV para as festas do Ano Novo e do dia de Reis. Vários escritores escrevem sobre ele, e Greuze celebrou-o num quadro, exatamente com o nome de Gâteau des Rois. 
 
Com a Revolução Francesa , em 1789, este bolo foi proibido. Só que os confeiteiros tinham ali um bom negócio, e em vez de o eliminarem, passaram a chamar-lhe Gâteau des Sans-Cullottes.
Em Portugal, depois da proclamação da República, não chegou a ser proibido, mas chegou perto. Com exceção desse mau período, a história do bolo-rei é uma história de sucesso, e hoje como ontem as confeitarias e pastelarias não poupam esforços na sua promoção.
Em Portugal – Pelo que se sabe, a Confeitaria Nacional foi a primeira casa onde se vendeu, em Lisboa o bolo-rei foi, certamente depois de 1869. Aos poucos, a receita do bolo-rei se generalizou Outras confeitarias de Lisboa passaram a fabricá-lo, o que deu origem a versões diversas, que de comum tinham apenas a fava.
Assim, atualmente em Portugal,  o consumo de Bolo Rei é mais significativo entre finais de Novembro e o dia 6 de Janeiro. O gosto por este bolo, em Portugal (tanto pelos portugueses e cada vez mais imigrantes) faz com que ele seja vendido durante todo o ano, entretanto as vendas disparam durante a época acima mencionada, até porque durante a época natalícia, o Bolo Rei não se limita a ser um bolo com um gosto agradável, ele é na verdade um verdadeiro símbolo desta época!
Não há dúvidas, que o bolo-rei veio de Paris. O “nosso” bolo-rei segue a receita utilizada a sul do Loire, um bolo em forma de coroa, feito de massa levedada (massa de pão). Acrescenta-se, de qualquer modo, que as várias receitas os bolos continham uma fava simbólica, que nem sempre era uma verdadeira fava, podendo ser um pequeno objeto de porcelana ou até mesmo uma jóia.
Hoje em dia, o bolo-rei inclui um brinde e uma fava. O brinde é um pequeno objeto metálico sem outro valor que não seja o de símbolo, e mesmo assim pouco evidente para a maioria das pessoas.
 A fava representa uma espécie de azar: quem ficar com ela tem que comprar outro bolo-rei. A caça ao brinde e o medo de pegar a fava, torna os convívios de fim de ano muito mais divertidos.
Confira aqui a Receita do Bolo-Rei (https://www.caestamosnos.org/pesquisas_HLR/bolo_rei.htm)
Ingredientes:
- 750 g de farinha - - 30 g de fermento de padeiro - 150 g de margarina - 150 g de açúcar - 150 g de frutas cristalizadas - 150 g de frutos secas ( meias nozes, amêndoas,passas de uva, pinhões) - 4 ovos - raspa de 1 limão - raspa de 1 laranja - 1 decilitro de vinho do Porto - 1 colher de sobremesa de sal
Para acabamento:
- torrões de açúcar q. b. - geleia q. b. - gema de ovo q. b. - farinha q. b. - 1 brinde - 1 fava (foi proibido)
Confecção
O primeiro cuidado é o ambiente: deve ser temperado, sem correntes de ar.
1 - Metade das frutas cristalizadas (75 gramas) é cortada em pedaços pequenos e num recipiente se as macera no vinho do Porto (1 decilitro)
A outra metade das frutas cristalizadas (75 gramas) é guardado para no final enfeitar exteriormente o bolo.
2 - O fermento (30 gramas, e de padeiro) é dissolvido em água tépida (1 decilitro) para depois se adicionar a farinha (1 chávena).
Deixa-se a levedar por um quarto de hora .
3 - Raspa-se a casca de um limão e de uma laranja
4 - A margarina é batida juntamente com o açúcar (150 gramas) e as raspas da laranja e do limão, vai-se juntando, um por um, os ovos (4) e a massa de fermento (referida em 2-).
5 - Estando uma massa homogenia, se mistura  então a farinha (750 gramas) e o sal (uma colher de sobremesa).
Tudo deve ficar bem ligado, macio e elástico.
6 - As frutas cristalizadas partidas em bocados pequenos e parte das frutas secas são introduzidas na massa
7 - formata-se em forma de bola, polvilha-se com farinha sobre um pano branco tipo linho também polvilhado para não pegar, é feito o sinal da cruz com o gume da mão e se pronuncia:
Deus te levede E torne a levedar
Para comer e para dar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.  Amen
Tapa-se com um pano de linho e se deixa a levedar por cinco horas, vindo a dobrar de tamanho
8 - Num tabuleiro que irá a ser tapado por um pano,coloca-se a massa fazendo-lhe um buraco no meio e então se esconde o brinde embrulhado em papel vegetal  e a fava. Deixa-se levedar mais uma hora.
Esta colocação do brinde e da fava foi proibida por haver o risco de partir algum dente ou até poder provocar asfixia; mas na tradição, quem lhe "sair" a fava será o seguinte ofertante de um bolo rei.
9 - O bolo é pincelado com gema de ovo, se coloca a embelezá-lo, na coloração diversa, as frutas cristalizadas que ficaram inteiras (75 gramas), torrões de açúcar e as restantes frutas secas
10 -  Por fim vai a forno bem quente para ficar cozido (basta enfiar uma agulha tipo "tricô" e ao retirar ela deve vir "limpa")
11 - Para remate, pincela-se com geleia diluída em água quente para dar maior brilho
Escolha o seu: